Outro lado da Bolívia de Evo Morales


Livro traça perfil inédito do presidente boliviano e aborda questões polêmicas como a agricultura da coca e também o acordo dos hidrocarbonetos com a Petrobrás.  A apresentação é feita pelo vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Audálio Dantas e o prefácio escrito pelo ex-ministro, José Dirceu

Imagem - Contato Imprensa

 


Em meados de 2006, após assistir uma manifestação anti-Morales, pautada por inflamados discursos e cartazes onde o presidente boliviano aparecia retratado como um demônio, o jornalista Antônio Barbosa Filho passou a analisar o que motivava aquela agressividade. A empreitada resultou no livro “A Bolívia de Evo Morales”, lançado pela editora Livro Pronto. “Simpatizo com o governo de Evo Morales por ter sentido de perto a esperança que maioria historicamente marginalizada deposita em seu programa. Entretanto, reproduzo também as principais críticas que a oposição lhe faz”, comenta o autor.  

Por meio de uma criteriosa pesquisa jornalística, Barbosa trabalha assuntos complexos que muitas vezes são desconhecidos no Brasil, apesar de sua proximidade geográfica com a Bolívia. O texto oferece subsídios ao leitor para opinar, com mais propriedade, sobre assuntos como a agricultura da coca estabelecida naquele país. “A questão da coca é distorcida, como forma de ‘incriminar’ a Bolívia e seu presidente que é um histórico líder dos cocaleiros. Cultivar a folha de coca não é o mesmo que produzir cocaína. Evo Morales faz uma campanha pela discriminalização da folha e estabelece limites para a produção na região do Chapare. No ano passado, Evo Morales inaugurou a primeira fábrica de derivados da folha e das fibras da coca que serve para fazer tecidos, sabonetes, xampús e outros produtos. Com a industrialização pretende-se reduzir o excesso de coca que, este sim, é desviado para a produção da pasta base para a cocaína. Nesse sentido, são freqüentes as apreensões da droga na Bolívia e há traficantes presos”.  

Ainda sobre esse assunto, o jornalista faz um alerta. “É importante lembrar que os programas de erradicação da coca empreendidos por governos anteriores com suporte dos Estados Unidos fracassaram redondamente. Causaram apenas mortes, torturas, e fome entre os pequenos agricultores que a produzem. O mesmo ocorre na Colômbia. Poucos sabem que o caríssimo ‘Plano Colômbia’, imposto pelos norte-americanos à força de armas, resultou em aumento da plantação de coca! Como diz Evo Morales, sua política é: ‘Cocaína zero, nunca coca zero’", reforça Barbosa. 

Outra perspectiva trabalhada pela publicação envolve a Petrobrás e a nacionalização do petróleo e do gás boliviano, assunto divulgado no Brasil como medida inesperada. “Isso não foi surpresa para ninguém. No livro, descrevo os contatos mantidos entre o governo boliviano e a Petrobrás, antes e depois do ato de 1º de maio de 2006. Foi uma medida dura, mas cumpria decisão adotada pelo povo, em plebiscito, dois anos antes. Tanto que fazia parte dos programas de todos os candidatos à Presidência. Seria o mesmo que nos surpreendermos com a luta do presidente do Paraguai para melhorar as condições do Tratado de Itaipú, ou melhor, dos contratos de preço de energia. Está na sua plataforma e foi amplamente discutida na campanha eleitoral. Quanto aos efeitos para a Petrobrás, foram poucos. Não faltou gás boliviano para o Brasil nem um dia. Alguns diziam que teríamos um apagão por conta da nacionalização e a Petrobrás passou a pagar um pouco mais pelo gás. Ainda está abaixo dos preços internacionais. Para a Bolívia o reajuste faz muita falta. Para a Petrobrás, ainda é vantajoso. Tanto é que a empresa brasileira investe muito mais hoje na Bolívia do que anteriormente”, observa Barbosa.  

A publicação traz a lista de fontes consultadas e finaliza com um álbum de fotos.  Quando questionado sobre a possível repercussão do prefácio escrito pelo ex-ministro, ele explica: “Convidei José Dirceu como conhecedor que é da política internacional brasileira e das questões internas da Bolívia. Ele presidia o PT, quando Evo Morales era o dirigente máximo do MAS - Movimiento al Socialismo. Não quis usar a notoriedade do ex-ministro para promover meu livro, mas sim aproveitar seu conhecimento no tema. Quando o procurei, não éramos amigos ou correligionários, já que eu nunca pertenci ao PT. Meus encontros anteriores, poucos, foram na posição de repórter entrevistando o político. Sou-lhe muito grato pelo prefácio que enriquece meu trabalho. Da mesma forma,  pedi ao Audálio Dantas para fazer a ‘Apresentação do Autor’, porque ele sim me conhece há uns trinta anos. Ambos tiveram plena liberdade para escreverem o que quisessem e creio que o resultado foi muito bom”, finaliza.
  

  Mais sobre o autor


Antonio Barbosa Filho nasceu em Taubaté e iniciou-se no jornalismo nas emissoras de rádio e jornais de sua cidade. Foi cinegrafista da Rede Globo de Televisão, repórter de O Valeparaibano de São José dos Campos, diretor da Rádio Oceânica de Caraguatatuba, redator-chefe da revista Objetiva de Lorena – SP, assessor de imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Pindamonhangaba, correspondente da Rádio Aparecida em Taubaté e das rádios Excelsior, CBN e Jovem Pan, no Vale do Paraíba. Manteve durante alguns meses uma coluna nos jornais O Ribatejo, Gazeta de Felgueiras e O Faro, de Portugal.
Foi secretário de Gabinete Parlamentar do então deputado Audálio Dantas entre 1980 e 1982. Publicou em 2007 "Cartas da Holanda", crônicas sobre sua estadia de três meses naquele país, na Alemanha e na Dinamarca. Visitou, em outras viagens, Argentina, Uruguai, Bolívia, Paraguai, Peru, Venezuela, Cuba, França, Inglaterra, República Tcheca, Bélgica, além de quase todos os Estados brasileiros. Participou do I, II, III e V Fórum Social Mundial, em Porto Alegre e do I Fórum Social Brasileiro, em Belo Horizonte.

 

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  Serviço


A Bolívia de Evo Morales

Antonio Barbosa Filho
Editora Livro Pronto
216 páginas
R$ 29,90
ISBN 978857869029-8
Onde Comprar: www.livropronto.com.br

 

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