Outro lado da Bolívia de Evo Morales |
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Por meio de uma criteriosa pesquisa jornalística, Barbosa trabalha assuntos complexos que muitas vezes são desconhecidos no Brasil, apesar de sua proximidade geográfica com a Bolívia. O texto oferece subsídios ao leitor para opinar, com mais propriedade, sobre assuntos como a agricultura da coca estabelecida naquele país. “A questão da coca é distorcida, como forma de ‘incriminar’ a Bolívia e seu presidente que é um histórico líder dos cocaleiros. Cultivar a folha de coca não é o mesmo que produzir cocaína. Evo Morales faz uma campanha pela discriminalização da folha e estabelece limites para a produção na região do Chapare. No ano passado, Evo Morales inaugurou a primeira fábrica de derivados da folha e das fibras da coca que serve para fazer tecidos, sabonetes, xampús e outros produtos. Com a industrialização pretende-se reduzir o excesso de coca que, este sim, é desviado para a produção da pasta base para a cocaína. Nesse sentido, são freqüentes as apreensões da droga na Bolívia e há traficantes presos”. Ainda sobre esse assunto, o jornalista faz um alerta. “É importante lembrar que os programas de erradicação da coca empreendidos por governos anteriores com suporte dos Estados Unidos fracassaram redondamente. Causaram apenas mortes, torturas, e fome entre os pequenos agricultores que a produzem. O mesmo ocorre na Colômbia. Poucos sabem que o caríssimo ‘Plano Colômbia’, imposto pelos norte-americanos à força de armas, resultou em aumento da plantação de coca! Como diz Evo Morales, sua política é: ‘Cocaína zero, nunca coca zero’", reforça Barbosa. Outra perspectiva trabalhada pela publicação envolve a Petrobrás e a nacionalização do petróleo e do gás boliviano, assunto divulgado no Brasil como medida inesperada. “Isso não foi surpresa para ninguém. No livro, descrevo os contatos mantidos entre o governo boliviano e a Petrobrás, antes e depois do ato de 1º de maio de 2006. Foi uma medida dura, mas cumpria decisão adotada pelo povo, em plebiscito, dois anos antes. Tanto que fazia parte dos programas de todos os candidatos à Presidência. Seria o mesmo que nos surpreendermos com a luta do presidente do Paraguai para melhorar as condições do Tratado de Itaipú, ou melhor, dos contratos de preço de energia. Está na sua plataforma e foi amplamente discutida na campanha eleitoral. Quanto aos efeitos para a Petrobrás, foram poucos. Não faltou gás boliviano para o Brasil nem um dia. Alguns diziam que teríamos um apagão por conta da nacionalização e a Petrobrás passou a pagar um pouco mais pelo gás. Ainda está abaixo dos preços internacionais. Para a Bolívia o reajuste faz muita falta. Para a Petrobrás, ainda é vantajoso. Tanto é que a empresa brasileira investe muito mais hoje na Bolívia do que anteriormente”, observa Barbosa. A
publicação traz a lista de fontes consultadas e finaliza com um álbum de
fotos. Quando questionado sobre a possível repercussão do prefácio
escrito pelo ex-ministro, ele explica: “Convidei José Dirceu como
conhecedor que é da política internacional brasileira e das questões
internas da Bolívia. Ele presidia o PT, quando Evo Morales era o dirigente
máximo do MAS - Movimiento al Socialismo. Não quis usar a notoriedade do
ex-ministro para promover meu livro, mas sim aproveitar seu conhecimento
no tema. Quando o procurei, não éramos amigos ou correligionários, já que
eu nunca pertenci ao PT. Meus encontros anteriores, poucos, foram na
posição de repórter entrevistando o político. Sou-lhe muito grato pelo
prefácio que enriquece meu trabalho. Da mesma forma, pedi ao Audálio
Dantas para fazer a ‘Apresentação do Autor’, porque ele sim me conhece há
uns trinta anos. Ambos tiveram plena liberdade para escreverem o que
quisessem e creio que o resultado foi muito bom”, finaliza.
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Antonio
Barbosa Filho |
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